Artigo Jornal PT50
A Europa encontra-se num momento decisivo na evolução do seu ecossistema de pagamentos. A crescente digitalização da economia, aliada à fragmentação das soluções existentes e à dependência de infraestruturas não europeias, exige uma resposta estratégica que garanta eficiência, resiliência e autonomia. É neste contexto que o euro digital se afirma como uma proposta transformadora, capaz de redefinir o papel da moeda pública na era digital.
O euro digital, concebido pelo Banco Central Europeu como uma forma digital de moeda de banco central, pretende ser mais do que uma alternativa ao numerário. Trata-se de uma ferramenta que pode reforçar a soberania monetária europeia, promover a inclusão financeira e garantir que os pagamentos digitais se realizam em redes de liquidação e infraestruturas europeias, com regras comunitárias e ao serviço dos cidadãos e empresas da UE.
A Comissão Europeia reconhece que os pagamentos digitais são essenciais para o funcionamento do mercado interno e para o crescimento económico. No relatório ‘Pagamentos Digitais da União Europeia’, o Tribunal de Contas Europeu destaca que o valor dos pagamentos digitais na venda a retalho duplicou entre 2017 e 2023, ultrapassando 1 bilião de euros por ano. No entanto, alerta para lacunas na monitorização e na padronização, que dificultam a avaliação do impacto das políticas públicas.